História Batista – Expansão Vanias Batista de Mendonça Introdução No artigo anterior “História Batista – Origens” vimos as três teorias sobre a origem dos batistas, sustentando-se que a doutrina batista remonta aos primórdios do Evangelho, porque fincada no Novo Testamento, e que primeira igreja com doutrina batista foi organizada em Amsterdã, Holanda, em 1609, com 36 pessoas, bem como que a igreja com nome batista, estabeleceu-se em Spitalfields, Londres, em 1611. Expansão Inglesa No início do século XVII, os crentes ingleses que não concordavam com as doutrinas e o governo da igreja anglicana tornaram-se puritanos e separatistas. Por isso, o Pr. John Smyth e o advogado Thomas Helwys partiram para a Holanda, onde havia liberdade religiosa, e organizaram a igreja com doutrina batista, em Amsterdã. A organização dessa nova igreja foi questionada porque tinha doutrinas muito semelhantes às dos menonitas, que eram os herdeiros das doutrinas anabatistas. O historiador Zaqueu Moreira de Oliveira informa que “a resposta dada por Helwys mais tarde é que eles não concordavam com a cristologia docética aceita pelos menonitas, nem com sua teoria sucessionista” (OJB, 2/10/05, p.6). Smyth foi o primeiro a sustentar nos tempos modernos a completa liberdade religiosa, embora depois tenha se filiado aos menonitas. Helwys, porém, permaneceu batista, e se tornou pastor, defendendo, através de sua publicação “Breve declaração do mistério da iniqüidade” a liberdade religiosa para todos, e declarou a disposição de voltar a Inglaterra para enfrentar a perseguição, mesmo que tivesse de morrer por Cristo. O grupo que retornou com Helwys foi que organizou a primeira igreja denominada batista em Spitafields, nos arredores de Londres, como primeira igreja batista em solo inglês. Por suas doutrinas foi levado à prisão por quatro anos, onde morreu por volta de 1616. O grupo batista, segundo Oliveira “herdou o apego a uma vida santa dos puritanos e o tipo de igreja congregacional dos separatistas”, bem como herdou dos anabatistas a teologia arminiana, daí por que ficaram conhecidos como Batistas Gerais, defendendo a expiação universal de Cristo. Outro grupo de batistas adotou o princípio calvinista da preservação dos salvos, crendo na expiação de Cristo só para os eleitos, ficando conhecidos como os Batistas Particulares. Ambos os grupos cresceram e, em 1644, já existiam 47 igrejas batistas gerais e 7 igrejas batistas particulares na Inglaterra, além de uma na França. Expansão Americana A perseguição aos dissidentes da igreja anglicana os levou a várias partes do mundo e, em especial, às colônias da América do Norte, em busca da liberdade religiosa. Os chamados “Pais Peregrinos” eram congregacionais e chegaram à América no navio May Flowers em 1620. Relata o pastor Salovi Bernardo que “o curioso é que, tão logo estes fugitivos das perseguições se estabeleceram na nova terra, tornaram-se tão intolerantes como os que deixaram na Inglaterra”. Roger Williams chegou em Boston em 1631 em busca de liberdade religiosa, mas encontrou nos puritanos da Nova Inglaterra a mesma intolerância da Velha Inglaterra. A primeira doutrina que ele atacou foi o da igreja oficial do Estado, e defendeu a liberdade de consciência, como pastor da Igreja Salém. As autoridades iniciaram uma perseguição a Williams, ele se ausentou por um tempo, mas ao retornar, foi preso e julgado, sendo condenado e desterrado por “ter levantado e propagado novas e perigosas opiniões contra a autoridade dos magistrados”. No desterro, Roger Williams fundou uma colônia em Rhode Island, a qual chamou Providence, e os moradores da colônia assinaram um pacto em 1638 de que a submissão dos colonos à autoridade seria somente em coisas civis, ou seja, respeitando-se o princípio da liberdade religiosa sustentada por Williams. Os estudos e a pregação de Williams da doutrina bíblica o convenceram da doutrina do batismo por imersão e, assim, em 1639 ele foi batizado por Ezekiel Holliman e, em seguida, batizou mais 10 pessoas e organizou a primeira igreja batista nos Estados Unidos. Outro pioneiro dos batistas em terras norte-americanas foi John Clarke, um médico que veio de Londres para Boston, em 1637, culto em grego e hebraico, teólogo de renome, que fundou em 1648 a Igreja Batista de Newport, e deu origem à cidade de Newport. Pelo esforço de Williams, mas principalmente de Clarke, obteve-se em 1663 de Charles II a carta patente que garantiu à Colônia de Rhode Island a liberdade civil e religiosa. Esse documento se torna a primeira constituição do mundo que consagra o direito à liberdade religiosa, fruto da influência batista. Os batistas se espalharam pelas diversas colônias da América do Norte, tanto assim que em 1673 já se contavam 975 igrejas batistas, e em 1750 totalizavam 4.200 igrejas. Por isso, os batistas foram in¬fluentes na formação da Constituição americana de 1781, tanto assim que A. R. Crabtree registra tópico da Encyclopédia Britannica, do seguinte teor: “O êxito dos baptistas de Virginia em conseguir passo por passo, a abolição de tudo que cheirava a opressão religiosa, envolvendo o desarraigamento da igreja episcopal, cortando a subvenção da Igreja pelo Estado, foi devido em parte ao fato que os batistas de Virginia se achavam entre os primeiros que zelavam pela independência americana, e que eles conseguiram a cooperação de estadistas independentes como Thomas Jefferson e James Madison e, em muitos casos, a dos presbiterianos” (A R. Crabtree. “História dos Baptistas do Brasil”. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1937, p. 15).. Expansão no mundo A revista Pacto & Comunhão (CBB) relata que em 1791, um jovem pastor inglês chamado William Ca¬rey, sentindo forte compaixão pelas multidões pagãs da Ín¬dia, decidiu iniciar com o apoio de vários pastores um mo¬vimento para o envio de missionários àquelas terras. As¬sim foi criada a Sociedade de Missões no Estrangeiro, que tem tido uma participação muito grande na expansão da obra batista na Ásia e África, além de outros continentes, inclusive em um país como o Brasil. Por sua vez, os batistas norte-americanos foram grande¬mente motivados a evangelizar o mundo. Adoniram e Ana Judson, jovem casal de missionários, foram enviados, em 1812, pela Igreja Congregacional, para evangelizar a Índia. Iam para Calcutá. Na viagem, examinaram, no Novo Tes¬tamento, a doutrina do batismo, porque iriam se encontrar com o missionário batista William Carey e seu grupo de pasto¬res. À luz do que estudaram, Adoniram e Ana acabaram por concluir que os batistas estavam certos sobre a dou¬trina do batismo. O casal foi batizado pelo pastor William Ward, companheiro de Carey. Perderam o apoio da Igreja Congregacional, mas ficaram fiéis às doutrinas bíblicas. O mesmo fato aconteceu com outro missionário congre¬gacional, também enviado a Índia, Luther Rice, que igual¬mente foi batizado, tornando-se batista. Eles decidiram que Adoniram Judson permaneceria no Oriente e Luther Rice voltaria aos Estados Unidos para mo¬bilizar os batistas para a obra missionária. Seu trabalho vingou e em maio de 1814 foi fundada na Filadélfia a Con¬venção Geral da Denominação Batista nos Estados Unidos para Missões no Estrangeiro. A partir daí, a obra missionária dos batistas iniciou um gigantesco crescimento. Chegando, inclusive, através dos Batistas do Sul dos Estados Unidos, no Brasil. Evangélicos no Brasil Analisando-se as informações de Crabtree, o movimento evangélico no Brasil remonta a um grupo de missionários da Igreja Reformada de Genebra que chegou ao Rio de Janeiro em 7 de março de 1557, a convite do vice-almirante Nicolau Durand de Villegaignon, mas que depois foram expulsos por ele. A segunda tentativa de trabalho evangélico ocorre com a chegada dos primeiros colonos holandeses em 1624, porém com a restauração do governo português acabaram as atividades da Igreja Evangélica Holandesa e seus templos na Bahia, Olinda e Recife. Somente em 1810 foi estabelecida uma igreja evangélica, a Igreja Anglicana, unicamente para os ingleses residentes, autorizada por D. João VI, desde que os cultos fossem realizados em templos que tivessem formato de casas residenciais, para não incomodar a igreja oficial. Depois, vieram a Igreja Evangélica Alemã em 1824, a Missão Mothodista Episcopal com o missionário Fountain E. Pitts, que chegou ao Rio de Janeiro em 18 de agosto de 1835, nome esse que deve ser lembrado pelos batistas amazonenses, porque alguns de seus descendentes vão ser membros fundadores da Primeira Igreja Batista de Manaus. Em 1842 chegou a Igreja Congregacional, e em 12 de agosto de 1859 chegou ao Rio o primeiro missionário presbiteriano Ashbel Green Simonton, organizando em 12 de janeiro de 1862 a primeira igreja presbiteriana. Outra missão que atuou no Brasil foi a Missão da Igreja Methodista Episcopal do Sul dos Estados Unidos que, em 1867 nomeou o reverendo Junius E. Newman, e organizou a igreja metodista entre os forasteiros norte-americanos na colônia de Santa Bárbara, em São Paulo, fato esse relacionado à historia da Igreja Batista no Brasil. Em 1874, a Conferência Metodista nomeou o reverendo Justus H. Nelson que com o auxílio do reverendo William Taylor estabeleceu o trabalho na Amazônia, principalmente em Belém do Pará, sob os auspícios da Igreja Metodista do Norte dos Estados Unidos. Outro trabalho importantíssimo para o Brasil foi o desenvolvido pelas sociedades bíblicas, relatado pelo Dr. Tucker no seu livro “The Bible in Brazil”, sociedades essas que sempre se acharam na vanguarda com a venda de Bíblias e Novos Testamentos, através de seus colportores, fazendo crentes fiéis em vários rincões da pátria, cujos nomes somente serão conhecidos na eternidade, porque, muitos deles, não se filiaram às igrejas, embora alguns sejam conhecidos, porque vieram a ser fundadores de igrejas batistas. Os Batistas no Brasil O trabalho batista no Brasil é resultado do sonho de vários servos de Jesus. Thomas Jefferson Bowen era missionário americano na Nigéria, África, trabalhando entre os nativos da tribo ioruba. Depois de algum tempo na África, retomou aos EUA por questões de saúde da família, e foi enviado, em 1860, para o Brasil, uma vez que muitos escravos que falavam o dialeto ioruba (língua corrente en¬tre os negros traficados) podiam ser alcançados, e porque tinha expectativa de melhores condições climáticas para sua saúde. Oito meses depois Bowen precisou retornar definitivamente à América, devido aos problemas de saúde e por¬que as autoridades o impediram de pregar o evangelho, já que sua mensagem se distanciava dos ensinos católicos, até então a religião oficial do país. Tempos depois, um grupo de colonos norte-americanos sulistas, derrotados na guerra entre o sul e o norte (1859¬-1865), desembarcou no Brasil, em Santa Bárbara do Oeste (SP). Grande parte destes colonos era de origem protestante e em 10 de setembro de 1871 eles organizaram a Primeira Igreja Batista em terras brasileiras, sob a coordenação do pastor Richard Ratcliff. No início, os cultos ainda eram em inglês, o que afastava os habitantes locais. A organização dessa igreja, para Betty Antunes de Oliveira, em seu livro “Centelha em Restolho Seco” representa de fato, o início do trabalho batista no Brasil. Essa Igreja Batista de Santa Bárbara, através de seu pastor, fez vários apelos à Junta de Richimond para que enviassem missionários para o Brasil, sendo o primeiro pedido votado na sessão de 12 de outubro de 1872, mas naquela época não foi enviado nenhum missionário. Depois, no primeiro domingo de 1879 foi organizada a segunda igreja batista em solo brasileiro, a Igreja da Estação, com 12 membros da Igreja de Santa Bárbara, e novos apelos foram dirigidos à Junta de Richimond. Uma pessoa que teve grande influência na evangelização do Brasil foi o general Hawthorne, que visitou o Brasil com interesse de estabelecer outra colônia, semelhante a que existia em Santa Bárbara, tendo escolhido como local o Vale do Jequitinhonha, na Bahia, mas ao regressar aos Estados Unidos, por razões de família e de melhores condições econômicas na América, desistiu da colônia no Brasil. Ocorre que sua única filha veio a falecer e, nesse sofrimento, encontrou conforto no Senhor e converteu-se em 1880. A conversão o fez lembrar do Brasil como um lugar para pregar a salvação, mas decidiu que o melhor era permanecer nos Estados Unidos e tudo fazer para enviar missionários batistas para o Brasil. Por influência do general Hawthorne, a Junta de Richimond empolgou-se com as possibilidades missionárias do Brasil e enviou os primeiros missionários William Buck Bagby e Ana Luther, que chegaram ao Rio de Janeiro a 2 de março de 1881, a bordo do veleiro Yamoyden e, por providência divina, receberam uma carta de Mary Ellis oferecendo hospedagem em Santa Bárbara – SP. Os primeiros cultos em português na Igreja de Santa Barbara só ocorreram com a chegada ao Brasil do missionário William Buck Bagby e sua esposa Anne, que rapidamente aprenderam o português, no Colégio Presbiteriano de Campinas. Um dos instrutores do casal foi o ex-padre Antônio Teixeira de Albu¬querque. Sacerdote católico na província de Alagoas, ele con¬verteu-se ao protestantismo sozinho, ao estudar a Bíblia. Depois de abandonar a igreja de Roma, o ex-padre peregrinou pelo Brasil até chegar a Campinas, onde se refugiou das perseguições católicas entre os metodistas. Depois, apresentou-se à igreja batista, por ser esta sua convicção sobre o batismo por imersão, e foi batizado pelo reverendo R. P. Thomas, tornando-se o primeiro batista brasileiro conhecido. A conversão do ex-padre Antonio Teixeira de Albuquerque está narrada no artigo de sua autoria “Três razões porque deixei a Igreja de Roma”. Em 04 de março de 1882 chegaram ao Brasil os missionários Zacarias Taylor e Kate Crawford, enviados pela Junta de Richimond. Os quatro missionários e mais Antonio Albuquerque procuravam um melhor lugar para iniciar o trabalho batista em território brasileiro e, como já havia muitas missões no Rio de Janeiro, decidiram ir para a Bahia, com uma população de mais ou menos 200.000 pessoas e apenas dois missionários presbiterianos. Os missionários chegaram a Salvador em 31 de agosto de 1882. Iniciaram o trabalho num colégio alugado dos jesuítas, na Rua de Baixo, nº 43, no centro de Salvador, com cultos bem assistidos. Depois, a freqüência foi baixando, por perseguição católica, e os missionários foram para as ruas, até que decidiram organizar a Primeira Igreja Batista da Bahia, em 15 de outubro de 1882. Para muitos historiadores essa é a data do início do trabalho batista no Brasil. Essa data tem servido de base para as comemorações das igrejas, mas atualmente está em estudo na Convenção Batista Brasileira a data de 10 de setembro de 1871, da organização da Igreja de Santa Bárbara – SP. O sucesso do trabalho no Nordeste encheu William Ba¬gby de coragem e ele resolveu partir para o Rio de Janeiro, onde fundou uma congregação no bairro do Estácio que, logo de início, conseguiu a adesão de quatro pessoas. Esse trabalho no Rio frutificou bastante, sendo atualmente um dos Estados de maior presença batista. Com a abertura do campo missionário brasileiro, graças ao sucesso de Bagby, as organizações batistas americanas resol¬veram investir. Os obreiros americanos que aqui chegavam traziam consigo o modelo de igreja que conheciam na sua terra natal. Além da estrutura cuidadosamente organizada, as igrejas brasilei¬ras fizeram questão de manter o modelo congregacional de governo, caracterizado pela autonomia de cada igreja local ¬uma marca dos batistas que predomina até hoje. Com o tem¬po, as comunidades foram adaptando seus costumes à realidade brasileira, mas sempre mantendo a identidade. À medida que as igrejas batistas se multiplicavam, sur¬giu a necessidade de reafirmar o ideário do segmento. Essa tradição ideológica jamais se perdeu no tempo, graças à estratégica propagação através de publicações como livros, Bíblias, revistas de estudo e jornais. A tradição batista legou, também, aos evangélicos a preciosidade do Cantor Cristão, cuja primeira edição data de 1891, com a contribuição significativa do missionário e músico judeu polonês Salomão Luiz Ginsburg, que, também, teve o mérito de ter sido o primeiro a imaginar a associação das igrejas em 1894, idéias essas que se concretizaram nas convenções estaduais e na Convenção Batista Brasileira, em 1907. Os Batistas no Amazonas O trabalho evangélico no Amazonas começou com a venda de Bíblias e Novos Testamentos pelos colportores da Sociedade Bíblica Britânica. Depois, tivemos em 1887 a organização da Igreja Metodista Episcopal em Manaus, com membros da igreja de Belém, como fruto de uma visita do missionário Justus Nelson, que vivia em Belém, e que para veio acompanhado de Marcus Carver, este permanecendo como dirigente da nova Igreja. Depois, essa igreja, por iniciativa de Carver, se desligou dos metodistas. O trabalho metodista sofreu redução até que veio o reverendo Frank Spaulding e desenvolveu o trabalho. Ele teve que retornar aos Estados Unidos em março de 1897, e a igreja se desorganizou, mas esse missionário se hospedou em Belém, na casa de Erick Nelson e o aconselhou a visitar Manaus. O trabalho batista no Amazonas tem suas raízes históricas com o pastor Erick Alfred Nelson, que veio a ser conhecido pelo nome abrasileirado de Eurico Nelson, e sua esposa Ida Nelson. Após organizar a Primeira Igreja Batista do Pará, em 1897, Eurico Nelson desejou visitar Manaus, para aqui iniciar um trabalho missionário. Nessa época surgiu a possibilidade de trabalhar para a “Christian Missionary Alliance”, que não era batista, com a oferta de um salário e uma lancha-residência para pregar pelo Amazonas. Ida Nelson, sua esposa, não gostou da idéia, mas cedeu ao entusiasmo de Eurico Nelson e, deixando a livraria onde trabalhavam, ficaram à disposição da “Alliance”, indo morar com duas viúvas, passando por muitas dificuldades. Em virtude dessas dificuldades começaram a orar pedindo a direção de Deus e, quando certo dia, Nelson estava muito angustiado, indo ao Consulado Americano em Belém, encontrou uma carta de um comandante em cujo navio havia pregado, e junto à carta vinham alguns dólares, poucos, mas suficientes para adquirir duas passagens de terceira classe até Manaus, que oferecia condições precárias, mas Nelson comprou as passagens e embarcou. À bordo, o capitão reconheceu o casal e fez questão fechada de levá-los para a primeira classe, onde conheceram então um cavalheiro de Manaus, que lhes pagou a passagem do barqueiro para levar os passageiros à terra (Manaus não tinha porto), pois Nelson estava sem dinheiro, já que empregara todo o dinheiro na compra das passagens. Essa pessoa também lhes indicou uma outra pessoa que teria prazer em hospedá-los, que era o Coronel Manoel Cavalcante de Araújo, um homem de grande projeção e respeito na cidade. O coronel Araújo era metodista, da igreja que deixara de funcionar, e hospedou os Nelson por cerca de 15 dias no início de setembro de 1897. O coronel Araújo, por essa época, já trouxera a Manaus, o evangelista José Manoel Cavalcante de Almeida Sobrinho. Nelson pregou por 19 vezes nessa visita a Manaus, tendo ocorrido a conversão de 5 senhoras, que foram batizadas em 12 de setembro de 1897: Luíza Ferreira Cavalcante de Araújo, Marcelina Maria do Carmo Cunha, Thereza Maria Vieira, Josefa do Nascimento e Maria do Nascimento. As quatro primeiras tornaram-se membros fundadores da Primeira Igreja Batista de Manaus. É provável que, após o retorno de Nelson a Belém tenha mantido a amizade com o evangelista Almeida Sobrinho, sustentado pelo Coronel Araújo, porque, através de sua indicação, ele foi convidado, e assumiu o pastorado da Primeira Igreja Batista do Pará em 01 de agosto de 1898. Também manteve amizade com o Coronel Araújo, porque ele se deslocou até Belém, para ser batizado por Nelson em 14 de agosto de 1898. Em seguida, os Nelson viajaram aos EUA, para gozo das primeiras férias, depois de 7 anos de trabalho no Brasil. Através da indicação de outros missionários, Nelson foi aceito como missionário da Junta de Richimond, da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos e, quando voltou ao Brasil, estabeleceu-se em Manaus. Chegou a Manaus em 04 de junho de 1900 e no dia 17 de junho de 1900 (domingo) organizou a primeira Escola Bíblica Dominical. Em 24 de junho de 1900 Nelson batizou mais 5 irmãos em Cristo: Jesuíno Alves Correa Filho, Juventina Franco da Costa, Nazareth Maria Ferreira, Aurélio Silva Lima e Maria Silva Lima. Em 30.09.1900 batizou mais 8 irmãos: Francisco Antonio da Silva, Onida Pitts, João Felippe de Sousa Franco, Augusto da Silva Lima, Pedro da Silva Lima, Maria Ferreira da Cunha, Isabel da Silva Coutinho e Marth S. Pitts. Esses 18 irmãos batizados, mais os 2 missionários Eurico Nelson e Ida Nelson são os 20 fundadores da Primeira Igreja Batista de Manaus, organizada em 05 de outubro de 1900. Essa igreja permanece até hoje e é a mais antiga igreja evangélica em atividade na cidade de Manaus. Sua história está contada na revista 100 anos de Vitórias, editada em 2000. Conclusão As igrejas locais batistas são autônomas. O que as mantêm unidas são suas convicções doutrinárias e seus princípios bíblicos, dentre os quais se destacam: a suprema autoridade do Senhor Jesus; a revelação inspirada da Bíblia como regra de fé e prática; o indivíduo como imagem de Deus, possuidora de valor e dignidade; cada pessoa é competente e responsável perante Deus, nas próprias decisões e questões morais e religiosas; a liberdade religiosa; a salvação pela graça e fé em Jesus; o discipulado e o sacerdócio dos crentes; a separação da Igreja e do Estado; a igreja formada de pessoas regeneradas; a autonomia da igreja e o governo democrático, além de outros que detalham a missão da Igreja do Senhor.