História Batista - Origens Diác. Vanias Batista de Mendonça Introdução Estudar a história dos batistas significa deixar-se impressionar pelo poder de Deus na transformação de vidas e na perseguição de um ideal. Alerte-se, de início, que não há consenso sobre essa história, mas qualquer que seja o enfoque, há de sobressair a fidelidade aos mandamentos de Jesus. Os historiadores mencionam três teorias sobre a origem dos batistas. A primeira é a teoria JJJ (Jerusalém, Jordão, João), que busca as origens no período antecedente ao apostólico. A segunda é a que encontra origens nos anabatistas, como uma continuidade desse grupo cristão durante a Idade Média. A terceira afirma que seu início está na igreja organizada em 1609, na Holanda. Muitas vezes a melhor forma de entender a história é harmonizando as pesquisas. A história dos batistas pode ser mais bem entendida se analisarmos separadamente duas vertentes fundamentais. A primeira dá fundamento às doutrinas batistas. A segunda dá respaldo à denominação batista, depois da Reforma Protestante. A doutrina batista Os historiadores são unânimes em afirmar que as doutrinas Batistas saem diretamente das páginas do Novo Testamento, porque os ensinos de Jesus e dos seus apóstolos são os mesmos ainda hoje defendidos pelos batistas, pautados pelo estudo sistemático da Bíblia Sagrada, que a utilizam como normas que orientam sua fé e conduzem suas ações. Assim, convém examinar como essas doutrinas eram vivenciadas pelos primeiros cristãos e como elas foram desvirtuadas posteriormente, até serem recuperadas pelos batistas no século XVII. Doutrinas do Novo Testamento – Clarence Walker resume os ensinamentos fundamentais sustentados pelos apóstolos e atualmente defendidos pelos batistas: “1. Seu cabeça e fundador: Cristo. Ele é o legislador; a Igreja só executa essas leis (Mat. 16:18, Col. 1:18). 2. Sua única regra de fé e prática: a Bíblia (II Tim. 3:15-17). 3. Seu nome: “Igreja” ou “Igrejas” (Mat. 16:18; Apoc. 22:16). 4. Seu governo: Democrático – todos os membros iguais (Mat. 20:24-28; Mat. 23:5-12). 5. Seus membros: Somente pessoas salvas – (Ef. 2:21, I Ped. 2:5). 6. Suas ordenanças: Batismo dos crentes e depois disto a Ceia do Senhor. (Mat. 28:19-20). 7. Seus oficiais: Pastores e diáconos – (I Tim. 3:1-16). 8. Seu trabalho: Pregar a salvação às pessoas, batizando-as (com um batismo que concorde com todas as exigências da Palavra de Deus), “ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mat. 28:16-20). 9. Seu plano financeiro: Assim (dízimos e ofertas) ordenou também o Senhor aos que anunciam o Evangelho, que vivam do Evangelho” (I Cor. 9:14). 10. Suas armas de combate: Espirituais e não carnais (II Cor. 10:4; Ef. 6:10-20). 11. Sua independência – Separação entre a Igreja e o Estado (Mat. 22:21)” (in Introdução ao livro de CARROLL, J. M. “O Rasto de Sangue”. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, s/d, pp. 5-6). Os discípulos de Jesus foram pela primeira vez chamados de cristãos (At. 11.26) em Antioquia. Desde então, podemos dizer que sempre existiram cristãos que sustentaram os princípios do Novo Testamento. Como esses ensinos contrariavam as religiões dominantes foram perseguidos, e essa perseguição motivou que eles se espalhassem para fora da Judéia e alcançassem o Império Romano, Europa, Ásia, África, Inglaterra, Gales e outras partes do mundo civilizado. Entretanto, não partilhamos da teoria JJJ, porque não acreditamos que todos os cristãos eram batistas. Simplesmente eram cristãos, fiéis aos ensinos de Jesus. Vejamos, adiante, os mais significativos desvirtuamentos doutrinários. Primeiro desvirtuamento doutrinário – As primeiras distorções doutrinárias estão registradas nas páginas do Novo Testamento. Ao final do primeiro século, já vislumbramos os primeiros desvios da Igreja do Senhor, porque ela cresceu para milhares de crentes e muitos pregadores e anciãos (At. 20.17) começaram a usar de uma autoridade sobre os crentes, que não lhes fora concedida pelo Senhor Jesus (3 Jo. 9). Quer dizer, durante o primeiro século de existência da igreja surge o primeiro afastamento das doutrinas, que resultou na mudança do governo democrático original das primeiras igrejas de Jerusalém e Antioquia, com o surgimento de autoridades humanas sobre os crentes. Batista crê no governo democrático da igreja sob a autoridade de Jesus. Segundo afastamento – O segundo afastamento foi, segundo a história da igreja, da doutrina da salvação pela graça, porque os judeus, tanto quanto os pagãos, estavam acostumados ao cerimonialismo como forma de salvação e, como os ensinos de João Batista e de Jesus tinham muito a ver com o batismo, fizeram uma associação equivocada de batismo e salvação, para chegar à idéia de regeneração batismal, ou seja, o batismo seria o início da salvação. Batista crê que o batismo é apenas um memorial da morte e ressurreição de Jesus. Terceiro afastamento – Ensina o dr. J. M. Carroll que “depois que o batismo foi considerado como uma agência ou meio de salvação, pelas igrejas desviadas, quanto mais depressa fosse ele administrado, tanto melhor. Em conseqüência surgiu o batismo infantil” (O Rasto de Sangue. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, s/d, p. 14). Por aí se vê que quando a igreja afasta-se do senhorio de Cristo, os seres humanos tendem a buscar outras doutrinas sem fundamento na Palavra de Deus. Batista crê no batismo de pessoas que confessam sua fé em Jesus Cristo. Interessante notar que esses três primeiros desvios doutrinários vão permanecer na história da igreja, causando dissensões, guerras, mortes, e proliferação de grupos denominacionais, mas o melhor é que sempre existiram crentes e igrejas fiéis aos ensinos de Jesus, que legaram a oportunidade de um relacionamento puro com Deus, através de grupos como os Montanistas, Novacianos e Paterinos, mencionados pelo Dr. Carroll na obra citada. Surgimento da Igreja Católica - A corrupção de algumas doutrinas e práticas do cristianis-mo começou cedo, como visto acima. Essa corrupção, no entanto, foi se ampliando após a "conversão" do Imperador romano Constantino (anos 306 a 337) ao cristianismo, ocorrida a partir de 312, quando incorpo¬rou a cruz ao seu estandarte e passou a favorecer os cristãos, acreditando que na união do espiritual com o material estava a chave para o crescimento do Império Romano e a universalização do cristianismo. No ano 313 foi convocado um Concílio dos representantes das igrejas cristãs, e consumada a união das igrejas com o império, tendo como cabeça o Imperador Constantino e assim implantou-se a hierarquia do que hoje conhecemos como Igreja Católica ou Igreja Universal. Ao abandonar o paganismo e aderir ao cristianismo, Constantino foi repudiado pelo Senado Romano, o que o fez levar a sede do Império Romano para Bizâncio, cidade que foi reedificada e que teve o nome mudado para Constantinopla, em homenagem ao referido imperador. Como resultado dessa cisão surgiram duas capitais para o Império Romano: Roma e Constantinopla. Essas duas cidades, rivais por vários séculos, se tornaram os centros da Igreja Católica dividida, em Igreja Católica Romana e Igreja Grega, até que se concretizou a separação definitiva no ano 869. Durante o período de Constantino, além das três primeiras distorções doutrinárias já mencionadas (mudança do governo democrático, regeneração batismal e batismo infantil), surgiram outras: a hierarquia organizada, casamento da Igreja com o Estado, o batismo infantil determinado por lei, e a ausência de liberdade religiosa, que leva à denominada Idade das Trevas, iniciada no ano 426. Desde o início das distorções dos ensinos de Jesus, muitos cristãos rejeitavam as inovações dou¬trinárias e, por isso, foram perseguidos, exila¬dos e mortos. Esses cristãos foram os já referidos Montanistas, Novacianos e Paterinos, mais os Donatistas e os Anabatistas, estes conhecidos por causa da prática de rebatizar os que haviam sido batizados na infância. Para alguns historiadores, os batistas têm origem nesse grupo. Outras distorções católicas – Um outro desvio doutrinário significativo ocorreu no 4o Concílio Católico, na cidade de Calcedônia, no ano 451, quando mais de 500 bispos promulgaram a doutrina da adoração a Maria, mãe de Cristo, dogma esse que criou grande confusão entre os cristãos católicos, mas que finalmente foi aceito como doutrina da Igreja Católica. Outro evento que merece referência é o 7o Concílio, em Nicéia, no ano 787, convocado pela Imperatriz Irene, que decidiu pela adoração de imagens e culto aos santos. Depois disso, vieram os ensinos desvirtuados da comunhão infantil, da ceia como meio de salvação, de que fora da Igreja Católica não havia salvação, doutrina de indulgências e sua venda e, para justificá-la, a doutrina do purgatório. Na expansão do cristianismo católico, convém fixar algumas diferenças entre a igreja romana e a ortodoxa. Os católicos ortodoxos são eslavos: gregos, russos, búlgaros, sérvios etc. Os católicos romanos são os italianos, franceses, espanhóis, americanos. Os ortodoxos recusam a aspersão no batismo; os romanos na ceia do Senhor dão o pão para os fiéis e o vinho para o sacerdote; os sacerdotes gregos se casam e rejeitam a infalibilidade do Papa. Ressalte-se que existem poucos registros das igrejas verdadeiramente fiéis ao Novo Testamento, após a criação da Igreja oficial católica, porque, além da perseguição, a Igreja Católica determinava a queima de todos os escritos que contivessem idéias diferentes das católicas. Teoria histórica JJJ – Olhando para os registros históricos acima resumidos, o Dr. J. M. Carroll, em seu livro O Rasto de Sangue, sustenta que os batistas sempre existiram, originando-se dos cristãos das igrejas primitivas, que se tornaram conhecidos com outros nomes, como Novacianos, Montanistas, até se tornarem conhecidos no 4o século como Anabatistas e finalmente, no século 17, como Batistas, história essa construída com o sangue derramado pelas perseguições. Respeitando os que assim defendem a historicidade dos batistas, entendemos, porém, que a história desses grupos sustenta a fidelidade de cristãos às Escrituras, mas é exagero buscar vinculação denominacional com tais grupos que precederam os batistas. Concordamos com o historiador Zaqueu Moreira de Oliveira, ao afirmar que o direito dos batistas afirmarem que esses cristãos eram batistas é o mesmo que os presbiterianos, episcopais e outros grupos têm de dizer que eram de suas denominações (OJB, de 5/6/05, p. 11). Entendemos que o vínculo dos batistas com os cristãos primitivos e os grupos fiéis a Jesus que os seguiram é doutrinário, e não institucional ou denominacional, daí por que sustentamos que a nossa história é vinculada aos cristãos primitivos pela doutrina, pois como denominação o surgimento dos Batistas acontece apenas no século 17, após a Reforma, como se verá mais adiante. A Reforma Protestante Apesar dos desvios doutrinários e das perseguições aos crentes fieis à doutrina de Cristo, não há dúvida que Deus sempre possibilitou a sobrevivência de crentes que mantiveram acesas as doutrinas cristãs genuínas e possibilitaram que, através dos tempos, outros se levan¬tassem na Idade Média, como Cláudio de Turim, Pedro de Bruys, Henrique de Lausanne, Pedro Vado, João Wycleffe, João Huss, Savanarola e Zwinglio. Quase todos eles sustentaram a necessidade de uma reforma na Igreja Católica e, embora não tenham conseguido, foram os precursores do movimento da Reforma, alguns deles pagando com a própria vida.Mas o grande enfrentamento da Igreja Católica, que dominava o mundo através das Igrejas de Roma e Grega, foi com o surgimento da Reforma Protestante, liderada pelo alemão Martinho Lutero, e deflagrada em 31 de outubro de 1517, com a publicação das suas famosas 95 teses, na porta do Castelo de Wittenberg, Alemanha. Criou-se, assim, a oportunidade de que muitos grupos dissidentes intensificassem suas pregações, entre eles os chamados Anabatistas, que representavam o grupo mais ativo e poderoso daquele momento, e que sustentavam muitas das doutrinas dos Batistas de hoje. No entanto, entendemos que os batistas não são originários da Reforma, embora muito devam a ela. Para tanto, convém analisar os grupos originários da Reforma. Igreja Luterana – Com o enfrentamento liderado por Lutero, e auxiliado por outros líderes alemães, em 1530 ele tornou-se o fundador de uma organização cristã inteiramente nova, conhecida como Igreja Luterana, que se tornaria em breve a Igreja da Alemanha, e esta foi a primeira igreja a sair diretamente da Igreja Romana, renunciando à filiação e à lealdade à igreja romana. Igreja Presbiteriana – Um outro reformador foi o francês João Calvino, contemporâneo de Zwinglio e Lutero, que veio a formar a Igreja Presbiteriana em 1541, também desligada da igreja romana, e que em 1592 veio a se tornar a religião oficial da Escócia. Igreja Anglicana – Não faz parte do movimento reformista. É uma cisão da Igreja de Roma com os católicos da Inglaterra, por causa do casamento do rei inglês Henrique VIII com Catarina de Espanha, que, depois se apaixonou por Ana Bolena, e desejando divorciar-se para casar com Ana, não obteve autorização do Papa (que era quem dava tais autorizações) e assim Henrique VIII retirou-se da autoridade papal e tornou-se chefe da Igreja da Inglaterra, o que se consumou em 1534. Como se vê, ao final do século 16 haviam 5 igrejas estabelecidas e oficializadas pelos governos civis: a Católica Romana, a Católica Grega, a Luterana da Alemanha, a Anglicana da Inglaterra, e a Presbiteriana da Escócia. Essas igrejas, por serem vinculadas ao Estado, foram grandes perseguidoras dos crentes chamados Anabatistas, que vão dar fôlego às doutrinas do Novo Testamento e possibilitar o surgimento dos batistas. Desvios da Reforma – Essas três novas igrejas reformadas, e não católicas, retiveram muitos dos erros católicos, alistados pelo Dr. J. M. Carroll: “1) O governo eclesiástico da Igreja (diferente na forma); 2) Igreja oficializada (Igreja e Estado unidos); 3) Batismo infantil; 4) Batismo por aspersão ou ablução; 5) Regeneração batismal (algumas pelo menos, e outras, se muitos dos seus historiadores podem ser acreditados); 6) Perseguições (ao menos por alguns séculos)” (obra citada, p. 34). Entendemos que a Reforma Protestante foi o grande movimento que abalou, de fato, a hegemonia católica e suas doutrinas equivocadas, porque a reforma restabeleceu princípios bíblicos inalienáveis da fidelidade à palavra, da salvação pela graça e da suficiência da fé, além de outras doutrinas caras aos evangélicos históricos. Infelizmente, as igrejas reformadas, no início, se vincularam ao Estado, para enfrentarem o poder romano, mas, com isso, não deram a liberdade religiosa às igrejas que discordavam de suas doutrinas e, mais uma vez, os Anabatistas continuaram a ser perseguidos. A denominação batista Afirmamos mais uma vez, a posição de que os Batistas não são oriundos da Reforma, pelas razões expostas acima. Os Batistas são chamados de protestantes, porque se tornou um termo genérico para os evangélicos separados da Igreja Católica. Essa nomeação popular não prejudica o trabalho Batista, mas historicamente cremos deve ser feito o esclarecimento. Após a reforma religiosa na Inglaterra, quando foi estabelecida a Igreja Anglicana, em 1534, surgiu o movimento denominado Puritano, que desejava purificar a igreja inglesa dos elementos romanistas. Entre tais puritanos havia alguns grupos que defendiam um sistema eclesiástico congregacional, o batismo voluntário e a separação da Igreja e Estado por influência dos Anabatistas. Alguns puritanos chegaram à conclusão que não dava para purificar a igreja anglicana e formaram congregações Separatistas (separados da igreja oficial). O prof. Zaqueu Oliveira informa que alguns separatistas “adotaram um sistema de igreja congregacional, conforme modelo idealizado por Roberto Browne, que é conhecido como o pai do congregacionalismo” (OJB de 14/8/05, p. 3). Os separatistas foram perseguidos no final do reinado da rainha Elizabeth I (1558-1603) e do rei Tiago I, que a sucedeu e, nesse momento foi que algumas congregações se deslocaram para a Holanda, onde havia liberdade religiosa. Igreja de Doutrina Batista – Entre essas congregações separatistas destacava-se, também, a de Gainsborough, liderada por John Smith e, mais tarde, por Thomas Helwys. A congregação de Gainsborough foi perseguida por pregar o princípio de ter membros unicamente regenerados por Jesus. Finalmente, em 1608, um grupo de ingleses dessa igreja foi para a Holanda em busca de liberdade religiosa, liderado por John Smyth, que era pregador, e Thomas Helwys, advogado. Juntamente com mais 36 pessoas, organizou-se em Amsterdã, em 1609, uma igreja de doutrina batista, como era o sonho dos dois líderes, sustentando que uma igreja bíblica é de membros regenerados e batizados sob a confissão pessoal de fé no Salvador. Para praticar o que criam, John Smyth batizou-se por imersão e, em seguida, bati¬zou os demais fundadores da igreja, constituindo-se esta a primeira igreja organizada tendo como espelho as doutri¬nas do Novo Testamento, inclusive o batismo por imersão e mediante a profissão de fé em Jesus Cristo. Com a morte de John Smyth, logo depois, e a decisão de Thomas Helwys, John Murton, e seus seguidores de regressarem para a Inglaterra, a igreja organizada se desfez e parte dos seus membros se uniu aos menonitas (pela semelhança da maioria das doutrinas), que era o grupo predominante dos anabatistas. Anabatista significa o que batiza de novo. Batista significa o que batiza (ou que ministra o verdadeiro batismo). Teoria da Origem nos Anabatistas – Embora muitos historiadores sustentem que os batistas descendem diretamente dos anabatistas, pensamos que essa não é a melhor posição. Para tanto, invocamos alguns argumentos do professor Zaqueu de Oliveira: “Mas não houve uma sucessão de anabatistas até os batistas, e os únicos que foram preservados no século 16, os menonitas, ainda hoje existem com identidade própria. Como aconteceu no início da história dos batistas, ainda hoje insistimos que há diferenças entre os batistas e os menonitas do presente” (OJB, de 10/7/05, p. 3). Igreja de Nome Batista – A história do grupo chamado batista como instituição, concretiza-se com a Igreja em Spitalfields, nos arre¬dores de Londres, provavelmente em 1610 ou 1611, organizada por Thomas Helwys e seus se¬guidores, já batizados na Igreja em Amsterdã. É esta igre¬ja, que inicia a linhagem de igrejas batistas que co¬meçam a crescer na Inglaterra sob severa perseguição por dissentirem da igreja oficial, a Igreja Anglicana. Também não são sucessores dos anabatistas, porque este grupo continuou a existir com o nome de Menonita. A verdade é que os batistas surgiram para restabelecer as doutrinas de Jesus Cristo, como consignadas no Novo Testamento, e isso foi possível graças à perseverança de muitos cristãos que guardaram a maioria dessas doutrinas, sendo de ressaltar o grupo anabatista (com os quais possuíam muitas semelhanças) e os grupos da reforma protestantes (apesar da diferença em relação ao governo da igreja e à separação da Igreja e Estado. Esclareça-se que a questão do batismo para os batistas é importante, mas não era e não é o ponto mais significativo. A competência da alma sob a autoridade soberana de Cristo nas Escrituras é o grande princípio batista. Tanto assim que a primeira confissão de fé dos batistas ingleses foi publicada em 1644 e a segunda em 1654, nas quais ficaram bem esclarecidos os princípios batistas, que coincidem, em conteúdo, com as doutrinas bíblicas enunciadas no início desse histórico. Conclusão Pode-se afirmar, desta forma, que a história da doutrina batista tem raízes no Novo Testamento, mas a história das igrejas denominadas batistas se inicia com a organização de um grupo de crentes na Holanda e solidifica-se com as igrejas que frutificaram na Inglaterra, respeitadas as opiniões dos que sustentam a teoria JJJ e a teoria da origem nos anabatistas.