A felicidade não convive

com o egoísmo

Quantos vão ouvir a voz não secularizada de um ex-cientista francês chamado Matthieu Ricard? Em entrevista a Revista Veja, ele desmentiu categoricamente a concepção materialista da felicidade: 

“Há quem se confunda e busque a felicidade em sensações prazerosas, sem perceber que se agarrar a elas é a receita para a exaustão, e não para a felicidade.” 

“A felicidade não é uma sensação, mas sim um jeito de ser.” 

“Existem vários estudos que provam que o consumismo não traz felicidade verdadeira. Se o consumista tem tudo o que quer e mesmo assim não é feliz, ele não vê significado na vida e pode ficar deprimido. Para ser feliz, é preciso buscar valores intrínsecos ao ser humano, não materiais.” 

“Pensar só em você não o fará feliz porque tudo parecerá uma ameaça. Você perderá tempo pensando no que as pessoas falam a seu respeito e se esquecerá de que o mundo é feito para 7 bilhões de pessoas. Somos todos interdependentes, a felicidade não convive com o egoísmo.” 

Na citada entrevista, Matthieu Ricard deu a triste notícia de que “na Europa, a idade média da primeira depressão da vida nos últimos dez anos caiu de 27 para 16 anos” (“Veja”, 18/10/2014, p. 118). 

Dois mil anos antes de o francês abandonar sua tese de doutorado em biologia molecular para se dedicar a uma vida de contemplação como monge budista, quando era um rapaz de 26 anos, Jesus já havia pregado na Judeia o Sermão do Monte, com suas dez (ou oito) bem-aventuranças, que começam sempre com as mesmas palavras: “Felizes as pessoas que...” (Mt 5.3-12).

Revista Ultimato